Bazin vs. Graham: A Dualidade entre Renda e Patrimônio na Avaliação de Ações
No universo do Value Investing, a busca pelo "preço justo" é o Santo Graal do investidor. Entre as diversas metodologias existentes, duas se destacam pelo seu histórico e simplicidade: o Preço Teto de Décio Bazin e o Preço Justo de Benjamin Graham. Embora partam de premissas distintas, a combinação dessas métricas pode oferecer uma visão mais completa sobre a margem de segurança de um ativo.
1. O Método Bazin: O Foco no Fluxo de Caixa
Décio Bazin, ícone do mercado brasileiro, defendia que o valor de uma empresa está diretamente ligado à sua capacidade de remunerar o acionista. Seu método é pragmático: o investidor deve exigir um Dividend Yield mínimo de 6%.
- A Lógica: O preço teto é calculado dividindo o dividendo anual médio por 0,06. Se uma empresa paga R$ 20,00.
- Aplicação: É a ferramenta ideal para quem busca renda passiva e foca em setores perenes (elétricas, saneamento e bancos).
- Limitação: O modelo ignora empresas em fase de crescimento (growth) que reinvestem todo o lucro e, portanto, não pagam dividendos.
2. O Método Graham: O Valor Intrínseco Patrimonial
Benjamin Graham, mentor de Warren Buffett, buscava proteger o investidor contra a especulação. Sua fórmula avalia o que a empresa "é" e o quanto ela "gera", independentemente de distribuir esse valor agora.
- A Lógica: Através da fórmula Vi = √ (22,5 x LPA x VPA), Graham estabelece um limite de preço baseado no Lucro por Ação (LPA) e no Valor Patrimonial por Ação (VPA).
- Aplicação: Excelente para identificar pechinchas patrimoniais e empresas subavaliadas pelo mercado em relação aos seus ativos.
- Limitação: Pode ser excessivamente conservador para o mercado moderno, onde empresas de tecnologia possuem poucos ativos físicos, mas alto valor de mercado.
3. A Sinergia: É Recomendável Tirar a Média?
A prática de realizar uma média aritmética entre o Preço Teto (Bazin) e o Preço Justo (Graham) tem ganhado adeptos por criar uma Margem de Segurança Híbrida.
As Vantagens da Média:
- Equilíbrio entre Renda e Valor: Ao ponderar os dois métodos, o investidor evita o risco de comprar uma empresa que paga bons dividendos, mas está com o patrimônio deteriorado, ou uma empresa rica em ativos, mas que nunca compartilha lucros.
- Redução de Volatilidade: A média tende a filtrar distorções extremas de um único indicador.
- Seleção de Qualidade: Ativos que negociam abaixo de ambos os indicadores simultaneamente são, historicamente, as melhores oportunidades de "compra por valor".
Cuidados Necessários:
O investidor não deve aplicar a média de forma automática. Se os valores forem discrepantes (ex: Preço Graham muito superior ao Bazin), isso indica uma característica específica da empresa:
- Graham > Bazin: Empresa de valor acumulado que retém lucros para expansão.
- Bazin > Graham: Empresa que distribui mais do que gera (perigoso) ou que opera com ativos leves e alta rentabilidade.
Conclusão
Combinar Bazin e Graham é uma estratégia inteligente para quem busca o equilíbrio entre a segurança do patrimônio e a recorrência da renda. Em 2026, com mercados cada vez mais dinâmicos, essa abordagem híbrida serve como um filtro de qualidade, garantindo que o investidor não pague caro por uma promessa, nem ignore o fluxo de caixa real que entra em sua conta.
A média não deve ser o único critério, mas certamente é um dos termômetros mais eficazes para definir o momento de entrada em uma ação da Bolsa.
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