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Planilha Básica para Investimento em Ações

Para um melhor desempenho do investidor em ações na Bolsa de Valores é primordial saber se está ganhando ou perdendo dinheiro e, para is...

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Luiz Barsi: As Três Regras Básicas para não se Preocupar com Prejuízos em Investimentos em Ações

Terceira parte da entrevista do grande investidor Luiz Barsi ao programa TV Economista. A primeira parte foi transcrita aqui e a segunda aqui.
TV Economista: Como é que eu devo entrar no mercado de ações, quais são os primeiros passos?
Luiz Barsi:  Nós poderíamos iniciar dizendo o seguinte, que, a grande maioria dos jovens tem sido orientado no sentido de buscar a especulação, no sentido participar de projetos que visam exclusivamente em comprar e vender, vender e comprar. O que eu posso aconselhar, em termos de experiência, aos economistas e aos telespectadores em geral é o seguinte, o mercado dificilmente consegue contemplar, de uma maneira positiva, quem especula. Quem especula vai ganhar a primeira, vez vai ganhar a segunda... e eu já tive exemplos, participando do mercado, de dentro do pregão, de profissionais, como eu, que suspiravam saindo do pregão e diziam: puxa!  Ganhei a gasolina, mas depois do décimo dia, eles saiam e diziam, eu perdi o carro.
Então, a forma mais objetiva, a forma mais certa, mais lógica de se participar de uma estrutura acionária é investindo e procurando a formação desta carteira previdenciária que eu tanto tenho divulgado para que ele possa formar uma renda mensal que lhe proporcione uma vida digna.
Então, a maneira de entrar, a forma, a operacionalização do mercado de capital seria formatar um programa de aplicações. Se ele não pode comprar uma aposentadoria de uma só vez, ele pode de uma forma programada alcançar essa aposentadoria através do estabelecimento de metas. Eu vou dar um exemplo que espero ser prático, quem comprar hoje [17.10.2013] cem mil ações da Eletrobras vai ter assegurado uma receita de R$ 163.000,00 ao ano. Se se dividir isso aí por 12 tem-se uma aposentadoria de mais ou menos R$ 8.000,00 por mês. Só que 100 mil ações da Eletrobras custam um milhão de reais. Então, a minha a minha proposta, a minha visão é que ele projete uma meta, projete um programa para logo de uma série de aplicações para um dia se ter as 100 mil ações da Eletrobras.
Então seria um programa de investimentos que é aquilo que eu faço e tento mostrar para as pessoas através de uma participação sistemática. Como é que ele teria que examinar esse início, eu, na experiência que acumulei ao longo desses 46 anos de mercado, posso afirmar que, sem nenhum erro, sem nenhuma sem nenhuma forma de errar, existem três regras para se aplicar no mercado sem ter sem ter que se preocupar com o fantasma do prejuízo, essas regras são:
Primeira regra, nunca direcionar para o mercado o recurso que você tenha programado para qualquer outro gasto ou projeto. Vou dar um exemplo prático, suponha que você tenha R$ 100.000,00 e decida ingressar no mercado, então você tem um objetivo de daqui a 60 dias comprar um automóvel e esse automóvel custa R$ 40.000,00. Então, se há essa disponibilidade de R$ 60.000,00, você aplica R$ 60.000,00 dentro de um critério que é subsequente. Então, objetivo em primeiro em primeiro momento é aplicar, comprar para visualizar o dividendo, isso não acontece em pouco tempo, isso acontece num determinado período de tempo.
A segunda regra, eu costumo até brincar, é nunca comprar uma dica, o que que é uma dica? Vou dar um exemplo prático, Eike Batista, as ogxs da vida, não é isso? Isso foi uma dica, todo mundo chegava e falava, me dá uma dica, então o camarada falava: o Eike Batista... Não tenho nenhuma intenção de falar mal dele, mas é uma realidade, isso feriu parte do mercado, as ações deles foram lançadas aí a R$ 13-14,00, existiram previsões de grandes instituições financeiras e isso foi divulgado, inclusive, no Jornal Valor Econômico que estampou uma matéria grande das empresas que projetaram o resultado a R$ 30-32,00 e hoje ela custa R$ 0,32.
Então a segunda regra seria o seguinte, nunca compraram uma dica, comprar papéis que possam estar representados por estruturas bem fundamentadas, com histórico de resultados, com históricos de dividendos, histórico de crescimento... que é isso que se faz no mercado internacional. Nos Estados Unidos, o cidadão compra uma ação numa relação preço patrimônio muito superior a nossa, mas ele tem a segurança de ter analisado e chegaram à conclusão que aquele é um bom investimento.
Então a forma de se chegar a um bom investimento, na realidade, ninguém precisa estudar economia para isso, então ele tem que procurar um profissional que tenha esta formação e que, dê preferência, esteja ligado ao setor de ações.

A terceira regra, é uma regra que nem deveria existir, mas eu a coloquei pelo seguinte, porque é uma regra que o cidadão nunca deve vender por necessidade. Porque, ao longo do tempo, se ele direciona o seu recurso para outros projetos e, de repente esse projeto não dá certo, ele acaba tendo que vender o papel de uma forma inadequada e no momento, também, inadequado. E existe, também, dois critérios que, na minha modesta opinião, são importantes, são eles: disciplina e paciência.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Luiz Barsi: Os Problemas do Mercado de Capitais no Brasil

Transcrevo mais uma excelente entrevista de Luiz Barsi Filho do “Programa TV Economista” em que ele faz uma explanação dos problemas do mercado de capitais no Brasil.
Luiz Barsi, um dos mais respeitados aplicadores em Bolsa de Valores do Brasil.
O mercado de capitais no país é de extrema importância, numa economia de mercado, as bolsas de valores e o segmento acionário são concebidos com a finalidade de promover a capitalização das empresas e essa capitalização, evidentemente, acaba redundando no crescimento das empresas, em evolução tecnológica, enfim, é importante.
Dentro desta importância existem fatores que se seguem, por exemplo, aqui no país lamentavelmente, nós somos considerados um país que tem uma bolsa rica e o mercado pobre. Por que? porque quem regulamenta o mercado é a bolsa, então a bolsa produz autorregulação do mercado, e essa autorregulação não tem produzido os efeitos esperados pelo mercado, tanto é fato que boa parte dos lançamentos que normalmente se seguiriam a outros que já aconteceram em época de maior e melhor brilhantismo, eles estão estagnados. Antes de 2008 nós tivemos um lançamento de muitas empresas, especialmente empresas da área de construção civil.
Após isso, quando tivemos aquele episódio do Subprime nos Estados Unidos que acabou sendo uma crise sistêmica e abalou todos os mercados, inclusive o mercado brasileiro, a produção de capitais acabou sendo interrompida porque todos os fatores econômicos conduziram a crise a uma pressão de venda das ações com o recuo, com a queda das cotações. Então as possibilidades de novos aportes nas empresas ficaram prejudicados porque as cotações caíram e as empresas não reuniam condições de lançar as ações nos preços que estavam baixos.   
Seguiu-se a isso um período melhor adaptação, de melhor desenvolvimento, de algum crescimento, até, e devido ao desenvolvimento de algum crescimento até e após 2008 o mercado experimentou uma ligeira recuperação, entretanto, não foi suficiente para produzir novas aberturas de capitais. Recentemente tivemos a abertura de capital que, na verdade foi a criação de mais uma estatal, foi a BB Seguridade, foi um segmento que se tirou do Banco do Brasil e se individualizou, que é o setor de seguros, criando-se a BB Seguridade. Mas, fora isso, inclusive, não só através dos novos lançamentos que ficaram prejudicados, como também as subscrições. Tivemos inúmeros empresas que ensaiaram subscrições para poderem ampliar suas atividades e essas subscrições tiveram que ser canceladas. A Suzano é uma delas.
A Suzano alicerçou um projeto de desenvolvimento bem audacioso e ia necessitar de recursos, mas infelizmente nós tivemos alguns fatores econômicos, como a valorização do dólar e a desvalorização do real e isso aí acabou prejudicando as empresas que possuem dívidas e financiamentos em dólar. Com isso, o mercado acabou um pouco mais arredio e o capital estrangeiro também se acabou retirando recurso daqui porque com a intervenção que o governo acabou produzindo, especialmente no setor de energia elétrica, grande parte ou boa parte das empresas desse setor, fora a Eletrobras e a CESP. Elas são empresas cujo os controladores de Capital estrangeiro, então, isso aí abalou o sentimento, aquela credibilidade que normalmente nós deveríamos produzir para que novos capitais fossem atraídos.
Agora nós estamos atravessando uma nova fase, uma fase em que o governo pretendeu diminuir o custo de energia. Entretanto, essa diminuição do custo da energia que acabou se refletindo ou está se refletindo no consumidor de energia, ele vai ter reflexo na população como um todo porque o Decreto acabou penalizando as empresas, mas as empresas têm que receber suas indenizações e essas indenizações remontam aí a quase 14, 15 bilhões de reais. Lamentavelmente, o governo vai ter que arcar com isso.
Então, o custo dessa intervenção, teve um reflexo muito negativo porque ao frigir dos olhos o governo não acabou diminuindo o custo da energia porque ele foi obrigado a acionar a energia produzida por termicidade - que são as usinas térmicas - e o custo de produção das energias térmicas é extremamente mais caro.